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Tenham paciência, meninos! (ed.22)
Depois de mais um divertido papo msnético com minha editora-chefa, resolvi voltar no tempo e contar as minhas aventuras webísticas em outrora curta e divertida solteirice.
Há alguns anos, após me ver livre, leve e solta, descobri que eu não sabia paquerar! Casei muito novinha e... bem... não curti essa de baladas, ficar com 5 na mesma noite e tal. Não que eu desejasse isso, ou sentisse falta. Mas conhecia pessoas que se vangloriavam disso, e de alguma forma, eu pensei que tentar viver um pouco disso, quem sabe, poderia me enquadrar à realidade.
Nas primeiras saídas eu percebi que não me enquadraria! Caramba! Sexta, Sábado e Domingo saindo e lá se ia metade do salário! Isso sem contar com as roupas novas, salão e etc... Como vocês conseguem? E estou falando de 3 dias! Tem gente que sai todo dia!!!
Outro motivo pra não me enquadrar: os tipinhos básicos de balada. Na primeira noite que saí com uma amiga: Vem um anônimo não sei de onde, me enlaça na cintura e diz: “Fica comigo”. Como é, rapá? Tá me estranhando? Nunca te vi! E ah... escove os dentes, please! Depois que o cara saiu dali parecendo que tinha falado com um ET (é... acho que eu sou de outro mundo mesmo!), eu até percebi que ele era bonitinho...
Mais umas saídas e eu vi que num dava... gosto de conversar, brincar, rir, e os carinhas só querem beijar. E eu não beijo quem não conheço. Podem me chamar de velha, antiquada.... o cacete a quatro. Não to perdendo nada! Sinceramente? É o mesmo que eu pegar uma cabeça de alho, entupir de álcool, defumar e tacar um beijo. To fora!
Entonces... depois de várias saídas decepcionantes com o mercado masculino, busquei a Internet. Em 2003 estavam começando a bombar os sites de encontros. O orkut era uma coisinha de nada... E lá fui eu fazer cadastro nos sites de encontros da vida. Porque antes disso, tentei os chats. Gente... que coisa horrorooooooosaaaaaaaaaa... Os nicks são uma vergonha: gostoso45, paugrande18, romântico1923, prazertotalaqui, carente, e outros cada vez piores. Esses eram os legíveis. E os ilegíveis: zighury¨%$#$, msocgdr*... e outras coisas... Mas eu até tentei, juro:
- olhosazuis28 – oi... qr tc?
- dehynha – to tentando...
- olhosazuis28 – vem smp aki?
- dehynha – primeira vez...
- olhosazuis28 – qr me ve pelado?
dehynha saiu do Chat
Houve uma vez que aceitei um com webcam. Eram três meninos nerds que só queriam mostrar seus pequenos playgrounds. Tadinhos...
Enfim, foi nos sites de encontros que acabei fazendo alguns amigos. Teve de tudo, de homens apaixonados a esquizofrênicos neuróticos. O chato era sempre a pergunta: “o que você está procurando?”. Alô-ou! Que procurando quê? Eu só fiz um perfil num site de encontros por pura curiosidade. A maioria ao ouvir isso, saía de cena. Alguns delicados diziam: “Desculpe, mas procuro alguém que me procure também”. Como assim???? “Não quero mais perder tempo” Sinceramente, eu queria saber se hoje esses são felizes com seu par perfeito que os procurava.
Tinha também os neuróticos com as mentiras: “Você é mulher?” “Sou, oras...” “Mas é mulher nascida mulher?” “Hã?”.
Os neuróticos com interesses em comum: “Você freqüenta praias de nudismo?” “Não, mas... quem sabe um dia...” “E iria comigo?” Essa eu não resisti: “Posso levar meu pai?”
Os neuróticos com posição social: O perfil tinha todo o currículo do cara. E no item “o que você procura” tinha escrito: “mulher bem sucedida, sem filhos, entre 25 e 32 anos, de carreira, situação estável, nível superior...” Puxa vida... Por que ele num diz que quer uma sócia?
Eu ria muito com os conquistadores que respondiam assim nesse item: “Você”.
Havia os que não escreviam nada. Outros que escreviam “Eu não procuro, você é que não perde por me achar”, e os que faziam listas enorrrrrrrrrrrrrrrrrrrrmes de requisitos de gostos, formas de se vestir... como se estivessem num supermercado de mulheres.
E as fotos? (rola de rir) Vou falar as legendas só pra vocês imaginarem: “Eu e minha Ferrari”, “Eu em Paris”, “Eu gostoso”, “Eu esperando por você”, “O homem que você procura”.
Bem... como eu já disse, fiz amigos! Afinal, nem tudo é tão ruim assim... E vou contar em episódios cada encontro (espero conseguir lembrar!) que tive e como rolou a coisa toda. E pra terminar este, vou dizer como conheci o Rod... Ééééééé... eu o conheci na Internet! Um amigo em comum nos apresentou online... no MSN...
- Oi, Dehynha!
- Oi, Rodrigo!
- Você conhece o bar W.º?
- Claro, fica aqui do lado da minha casa...
- Vamos tomar um chopp lá amanhã?
- Vamos! Que horas?
- Às nove, pode ser?
- Pode!
Simplicidade. E foi um ingênuo e adorável chope. Como todos os outros que vieram depois.
Miss TPM
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Quando um não quer, dois fazem sim. (ed.21)
Ela pensava no amor.
"O amor não existe. Só uma paixão, um fogo que toma conta e dali um tempo transforma-se em cinzas. Daí a gente acorda".
- Como fui cair nessa armadilha?
Dividir cama, chuveiro, vaso sanitário...escova de dentes? Há limites! Dia dos namorados? Coisa em extinção! Tudo se acabou quando inventaram o casamento.
Como? Pensar em transar, estar disponível? Se sua labuta só termina às duas da madrugada, quando o último rebento parou de manhar? E seu tempo? Pra relaxar, pra pensar no dia de amanhã? Nas contas? Ah as contas! Sim porque só ela tem que saber de tudo: a hora do remédio de cada filho, as notas, as reuniões, as lições, os trabalhinhos, as caixas de fósforo vazias, a merenda do outro dia, a consulta médica dele, da mãe dele, do diabo a quatro. Só ela tem que saber quando acaba o gás, e as compras, e... e...
Ele só tem que saber quando seu time joga, quando é o barzinho com amigos, essas coisas menos chatas da vida.
Mas ele quer coisa. Toda noite. E quer porque tem direito. Estava no contrato. Quer e pronto. Houve noites em que não deu. A dor de cabeça colou, a indisposição estomacal, a unha encravada ahhhhhhhrg Uma lista interminável. Pô! Ele não dá tempo, nem pra que ela queira também. Círculo vicioso!
Não dá e no outro dia ele está impossível. Não tira o lixo, não dá água ao cachorro, maltrata as crianças. Culpa da testosterona. Bandida! Ela se arrepende. Aff porque não dei? Porque?
À noite não tem remédio. Cede! Não vai querer outro dia de cão, né?
E por isso, por ser forçado, não vai querer nunca, nem amanhã nem nunca mais. Só vai ceder impassível. Epa! Não tão impassível. Vai ter que colaborar. Com gestos e caras e bocas. E mais, se quiser que acabe rápido! Vai ter que apelar de toda a sensualidade. E fantasiar ajuda. Pensar as coisas mais loucas. E não é que acaba gostando... E no final, a contragosto de seu orgulho, um gozo arrancado, doído, por ter sido forçado, mas gozo enfim.
Anja Caramuja
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Tudo pela mudança - já virou trilogia (ed.20)
Notícias da casa mais maluca do pedaço.
Enfim, chegou a primavera! Cães e gatos com os hormônios lá em cima! Isso significa que aqui em casa a noite é longa e barulhenta.
Eu e Rod desistimos de deixar a porta do quarto fechada. O gato mia pra entrar e o cão chora pra sair. Uma sinfonia sem fim. O engraçado é o Rod administrando sonolentamente a coisa:
- Abre pra porra do gato, Déia.
- Não... deixa que ele pára...
10 min depois...
- Abre pra porra do gato, Déia.
- Calma... ele vai parar...
5 min depois...
- Entra, seu merda! Mas deixa eu dormir, cacete!
2s depois...
- PQP! Desce, cão! Desce! Déia... manda o Shubby descer!!!
Boto o cão do Tibet no chão. Mas ele insiste em subir na cama pra pegar o gato. E é um tal de gato escalar o armário, derrubar coisas da estante... e o Shubby atento... é o gato chegar no chão e ele pula em cima! Enfim... uma hora depois todos voltam a dormir tranqüilamente.
Hoje, Zeus (o gato) resolveu dormir aos pés da cama como sempre, mas do lado do Rod... é que ali rolava um ventinho, pois ele dormiu perto da janela... E o pobre homem desavisado vira e tasca o pé em cima do bichano. E acordo com um grito mais xingamentos... nossa... um carnaval! Pego o Zeus e coloco do meu lado. Ele me olha assustado perguntando : “Você viu aquilo? Era branco, grande e com garrinhas...”
Encontrei uma forma maravilhosamente eficaz para a organização masculina. Eu sei, eu sei... Esse termo “organização masculina” não existe. Mas aqui em casa tá começando a dar certo. O Rod vive a espalhar suas partituras e milhares e milhares de papéis (como homens têm papel, puuuuuuuuutz!) por tudo que é lugar! Inclusive as 2 mesas da sala. O Shubby, que não sabe ler, mija em cima! E ai de brigar! Ensinamos a fazer xixi no jornal, né? Então... ele não sabe ler pra identificar o que é jornal, então... E se ele não faz xixi, ele molha de baba, usa de cama, senta em cima, ou espalha e rasga tudo. Isso faz com que o Rod mantenha seus papéis todos juntos num lugar onde o cão não chegue. Hehe Você, amiga que tem um marido/namorado/pai que espalha tudo pela casa... compre um cãozinho do Tibet! Se não quiser comprar um, eu empresto o meu!
Minha cunhada adquiriu há alguns meses uma espécie de Shubby, só que ligado em 220v! Acreditam que ele rançou o piso da sala? Cavou, cavou até rançar um pedaço do piso de madeiraaaaaa!!! Ela também foi enganada. Comprou um Shitzu como sendo um cão dócil, amável e calmo. (pausa pra gargalhada)
Em poucas semanas receberei em nosso calmo e pequeno lar duas amigas. A Pami está pulando de alegria, pois terá colegas de quarto. Terei 3 geminianos em casa (com 2 eu já fico louca!) e uma capricorniana daquelas que não pára um segundo. Amo muito tudo isso! Irá render muitas crônicas! E fotos, e vinho, e tudo de bom que pode acontecer!
Miss TPM
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O rapto do flamingo (ed.19)
Ela ria-se muito ao lembrar do episódio. Contava com minúcias que se perderam na minha memória. Porque o tempo leva nossas lembranças?
Moravam num começo de morro, na roça, casinha humilde, cercada de propriedades abastadas dos alemães, imigrantes, donos da colônia. Elas plantavam na roça, criavam perus e galinhas.
Os Kraus faziam divisas com as terras onde ciscavam as aves. E ave respeita divisa?
Volta e meia uma escaramuça.
- Que as galinhas, meliantes, haviam comido seus canteiros de repolhos! – E vupt, vupt, lá se iam os perus, pescoço torcido, execução.
Impropérios em outra língua soam mais terríveis e engraçados. E ela os repetia baixinho sem entender. A mãe emprestada arquitetava vinganças incomensuráveis, mas depois esquecia.
Um dia na volta da roça, pelo mato, deram de cara com aquela figura sui generis. Plumagem branca-rosada, pescoçudo, de uma raça desconhecida. Andando com aquele jeito desengonçado. Fugiu desarvorado quando tentaram pegá-lo.
Bem! Vingança é um prato que se come frio.
Ela a seguia, que por sua vez seguia o bicho, ao cair da noite, morro acima, mato adentro.
Armadilhas, alçapões...e pah.
Um passo elegantemente em falso e viu-se cativo o imponente Flamingo. Sim, porque anos mais tarde descobriu ser Flamingo, o nome daquele bicho importado com muitos outros pra enfeitar o lago da casa alemã.
Acabou na panela. Desprezado o estranho pescoço, deu um belo caldo.
E risadas muitas.
Anja Caramuja
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Tudo pode mudar (ed.18)
Estou precisando encontrar uma maneira de fazer acontecer o que eu quero mais brevemente. Você também? Sabe como é... sigo o caminho que sei que tenho de seguir, cato as pedras que encontro no meu caminho pra construir meu castelo (é assim que mandam fazer, né?) e sigo em frente certa de que chegarei no meu destino do jeito que quero. E aí, quando eu acho que estou chegando lá... PLUFT! Some tudo da minha frente, vem imprevisto de tudo que é lado, eu adoeço, morre beltrano, pifa tudo dentro de casa, pinta despesa de onde eu menos espero, as oportunidades não acontecem... e... haja confiança, pensamento positivo, saúde e amigos pra segurar a deprê!
Por que não acontece o contrário? Por que quando eu estou beeeeeeeeemmmmmmmmm na merda não aparece alguém rico pra me ajudar, ou quando estou doente, por que não tropeço num médico que cuide de mim de graça?
Tem aquela máxima que diz assim: tá ruim? Não reclama que pode piorar! Ou, por exemplo, quando acontece um temporal de maus presságios, eu me pergunto: o que mais, omodeu, o que mais de pior pode acontecer? Depois me arrependo de ter perguntado, claro!
Tenho um conhecido pobre pobre de marre descer! Ele é viciado em café e cigarro. Era meia-noite. Sozinho em casa, tv sem nada interessante, ele resolve fumar... e constata que é seu último cigarro. Aliado à essa desgraça, constata que para acendê-lo, pode contar apenas com seu último fósforo. E pensa: “preciso do fósforo para 2 coisas: acender o fogão para fazer meu café, e para fumar.” E a inteligência suprema deste pobre homem faz brilhar uma idéia fantástica: acender o fogão e deixar a chama acesa até amanhecer, para poder fazer seu café, e ainda naquele momento, fumar seu último cigarrinho. E assim fez. Mas como tudo pode mudar... o botijão de gás, que alimentava o fogo do fogão, acabou antes mesmo do sol despontar no horizonte.
Mas não há mal que perdure, nem bem que dure para sempre, já dizia minha mâmi dantes mesmo de eu nascer!
O processo da mudança pode ser tanto lento quanto rápido. E é simples de se perceber: você está bem agora? Então fica frio que o que tá ruim vem a cavalo! Vai aproveitando a boa vida que a descida é de uma vez só! Você está mal? Continue batalhando, acreditando, rezando, planejando, se aliando a pessoas importantes, porque pra subir santo nenhum ajuda! O processo é lento e se bobear, você cairá e terá de refazer o processo.
Não... não desanime! Pelo contrário! É só um alerta! Tudo muda o tempo todo! Pra pior ou melhor, mas muda! E é aí que está a delícia da vida. E saber aproveitar o melhor do pior e o melhor do melhor é adaptar-se vitoriosamente a esse sobe e desce. Somos avaliados por um ser superior, pelas pessoas a nossa volta, e por nós mesmos. E sempre teremos nossos esforços reconhecidos, mesmo que seja você a se presentear por um ato fantástico! Aliás, devemos ser nossos maiores torcedores, motivadores e recompensadores. E quando surge o sucesso, não pense que acabou. Vem aí, o próximo desafio.
Andréa Paes
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Anja e o mar (ed.17)
Claro que entre as peripécias de anja não podia faltar uma enchente.
Eu tinha uns sete anos. Acordei e da janela tive a visão daquele mar. Vibrei (inocente que era) com aquela confusão toda. Meu pai deixou a água cruzar a soleira da porta pra decidir abandonar a casa. Havia muita tensão no ar, mas meus olhos de criança encaravam aquilo como uma aventura. E pra mim a água cobrindo o campo em frente era sim O MAR, afinal eu nunca tinha visto nem mar, nem rio, nem lagoa.
As pessoas passavam de caiaques carregando suas tralhas, suas crianças.
Que inveja de meu irmão que podia colocar o pé na água e ir pra lá e pra cá de caíque ajudando a resgatar pessoas lá dos confins do horizonte daquele mar sem fim. Todos quietos, cabisbaixos. Um silêncio triste de espera angustiante. Mas eu preferia sonhar ate o último minuto que me deixariam enfiar o pé naquela água. Meu padrinho veio com seu caminhão e eu fui esperneando montada em seu pescoço. Sem saber que destino teria!
Fiquei de olhos fixos naquela água toda até desaparecer de minha visão. Aquilo tinha que ser o mar!
Anja Caramuja
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Tensa possessa e maluca (ed.16)
É assim que me sinto durante os 10 dias que antecedem os “dias vermelhos”. Chamo-os de dias amarelos. Dias de atenção total. Nesses dias posso arruinar toda a minha vida, ou a dos outros. Posso me quebrar ou quebras coisas... e se for muito mal em algum empreendimento, posso quebrar pessoas. E se eu não me atentar a isso, o que me deixa mais tensa ainda, bem... O mundo vem abaixo.
O pior de tudo é que, já não bastando eu a estar nessa situação preocupante, o mundo ao meu redor conspira veementemente para que dê tudo errado. Como se todos os Deuses se juntassem para um juízo final. E que rissem disso.
Por exemplo: escrevo para o Livinrooom todas as semanas. E o meu teclado é duro demais! Como a Carlinha diz, é um “step para dedos, uma aeróbica e tanto” e sem nenhuma necessidade. E se você, leitor, por acaso pensou: “ora, porque não compra um novo?”. Eu vou me coibir de lhe responder. Não estou nos meus melhores dias, e seria terrível perder um leitor tão assíduo, já que tenho tão poucos. Em vez de lhe responder do fundo do meu coração, serei doce, sorrirei falsamente e lhe direi: Por que não me presenteia com um? Amei aquele ali da vitrine. Apenas 300 pratas. Obrigada!
Pronto. Eu aqui tecendo minhas impressões sobre meus terríveis dias e agora toca o telefone! Quer ver que é engano?
*atende o telefone
* xinga
Num disse? Uma operadora de telemarketing chamada NeusicReide querendo que eu... Bem, nem ouvi o que ela queria que eu comprasse, porque gritei: “QUE FOI? QUÊEEEE?? NUM TO OUVINDO? ALIÁS, EU NEM ESTOU AQUI!” E desliguei. Avapá... ninguém merece...
Já atravessou uma cidade inteira pra ir ao cinema ver um filme e pegou a lotação esgotada? Já levou tombo na rua, no meio de um monte de gente e todos riram? Já correu atrás de ônibus e quando foi passar na roleta percebeu que esqueceu a carteira em casa? E no supermercado? Demorou horas fazendo as compras, escolheu cada coisa, e na hora não aceitaram o seu cartão? Tudo isso e muito mais já me aconteceu na mesma semana. A semana amarela.
Aprendi a controlar minha ira nesses dias. Rindo. Prefiro que me achem louca, a me acharem nojenta e arrogante. Toda vez que algo ruim acontece, eu respiro fundo, faço aquela cara de “ai que alívio” e caio na gargalhada. Ou choro copiosamente. Ou coloco a culpa no meu analista (não tenho, mas é algo que dá certo!).
Em suma, devo meu admirável controle à Internet. Mais precisamente ao Orkut. No Orkut encontramos de tudo! Mas pra mim, o principal é rir, gargalhar, ter um treco e cair duro de tanto rir! Depois de se ver as bizarrices que existem por aí, e se mostram de forma tão despretensiosa numa rede mundial, tudo fica mais fácil de ser digerido. A começar pelos indivíduos que adicionam a gente no orkut. Sem deixar recados, sem dizer o motivo por qual nos escolheu como contato, nos adicionam. E vamos lá fuxicar o orkut alheio pra descobrir porque razão e onde essa criatura nos achou. E aí constatamos que não tem nada a ver conosco. Um exemplo disso aconteceu essa semana. Fui lá fuxicar o orkut de uma menina. E dou de cara com uma comunidade: Meu
namorado peida do meu lado. (gargalhadas). Nunca ouvi falar dessa comunidade! E fui fuçar! Os tópicos da hora eram os seguintes: Ele
diz que foi você??? - Ele
peida + eu naum ligo + p/ issoo - fdp
peida e me segura!!!! - o
q fazer para ele não peidar mais do nosso lado? (mais gargalhadas).
Eu não tenho palavras pra expressar o que eu acho disso. Mais engraçado que os tópicos, são os comentários! Todos falando da intimidade dos casais. Que o peido é uma marca de quando o casal realmente está íntimo! Sério! Foi dito assim: “Eu peido na frente do meu namorado tb. E te juro, nossa relação só começou a ter intimidade completa quando a gente começou a liberar mais os gases. Hahahaha”. E essa afirmação foi reforçada por essa: “Meu namoradu pediu p/ q eu entrasse numa comunidade dessas dizendo q ele peida na minha frente, do meu lado, na minha cara e até no meu colo!!! A intimidade jah eh taum grande, q eu naum ligo +...O problema eh q agora ele ker q eu peide na frente dele tb, ele diz q soh seremos 1 casal perfeito qnd eu peidar na frente dele...Bom, c for assim, nunk seremos 1 casal perfeitooo...auhauhauahau”.
Eu não sei se comento a o comentário ou o assassinato da nossa língua. Aff... Pior que isso, só essa: “EU NEM LIGO MAIS NO COMEÇO EU ESTRANHAVA MAS AGORA EU DOU RISADA E ATE QDO ELE TENTA DISFARÇAR EU JA SEI CONHEÇO O CHERO DO PEIDO DELE NOSSA QUE TERRIVEL, FORA ISSO ELE TIRA MELECA DO NARIZ MAS ISSO EU QDO VEJO TENHO ANSIA DE VOMITO E O FILHA DA MAE DA RISADA MAS NEM ME ESTRESSO ISSO É ATE MAIS QUE INTIMIDADE...
SÓ QUE AGORA EU ARROTO NA FRENTE DELE ESSA ARTIMANHA É BOA MAS TBM ME ACOSTUMEI A FAZER ISSO N TENHO NEM MAIS VERGONHA RSRSRSRS”.
Amigos leitores, amor que é amor sobrevive até às porcarias. O mundo está perdido! Há quem goste e inclusive quem defenda o peido conjunto como um ato primordial para intimidade real de um casal. Mas e quem não gosta? Bem, há as dicas: “Meninas, eu tinha um problema sério com a tecnicas de tirar meleca que meu namorado usa. É horrivel, nao vale nem a pena descrever. Eu sempre reclamava e ele nunca levava a sério. Ai um dia estavamos brigando sério, discutindo sobre vários assuntos e falei com ele sobre a meleca. Ele viu q eu nao tava de brincadeira quando reclamava das melecas dele. Hj ele vai sempre ai banheiro limpar o nariz. Ou seja, tem que reclamar na hora q o assunto é serio, e nao na hora q ele ta peidando”.
Eu prefiro rir a criticar. E peidões aqui em casa só o Shubby e o Zeus. Eles parecem que planejam isso: vêm pra perto, nos olham, soltam o fedor e saem fora... E se a gente grita e repreende, nos olham com cara de cão sem dono dizendo: “Não fui eu, foi ele.” E olham pro Rod.
Miss TPM
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Comidas, aromas e memórias (ed.15)
Quando minha mãe morreu, meu filho que completava seis meses, adoeceu. E no meio daquele redemoinho, eu não conseguia nem chorar. Sua morte foi digerida aos pouquinhos.
No outro dia, após o enterro. Minha tia, irmã de minha mãe, veio me visitar. Velhinha já e sem muitas psicologias, achou um jeito com sua simplicidade de me confortar.
Pegou uma abóbora, atirada em um canto, que minha mãe havia comprado com intuito de fazer um doce e me convidou, ou melhor, me intimou:
- Vamos fazer um doce.
Ah! Eu não queria fazer nada. Queria me enterrar viva, me encolher num canto e chorar, chorar, chorar até secar toda a falta que minha melhor amiga fazia.
Mas fui obrigada.
E ali descascando em silêncio, mexendo a colher de pau na panela, sentido o aroma do cravo, da canela, em silêncio com ela. Fui acalmando meu coração. Lembrando frases e máximas de minha mãe. Como no dia que me desesperei ao vê-la tão debiilitada, quando ela disse:
- Deixe de frescuras, desde que o mundo é mundo que se morre. Eu já vivi e cumpri minha parte. Teu filho recém nasceu e precisa de ti. Faça o melhor por ele, como eu tentei fazer por ti.
O doce demorado ficou pronto e o calor do fogão aqueceu a casa gelada. Enquanto eu me conscientizava que deixei de ser a menina da mamãe para ser A MÃE, a mulher, o esteio da família, e minha maior companheira.
Assim como o doce, eu estava pronta.
Anja Caramuja
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Tô parada no morrinho (ed. 14)
Eu tenho uma cunhada fofíssima! E hilária! É a companhia perfeita para uma tarde monótona. E este dia seria monótono se não fosse por ela e sua destreza ao dirigir. Ela, a Raquel, tem carteira de motorista faz tempo! Mas há apenas alguns meses tem dirigido sozinha. E eu, muito corajosa, aceitei sua carona para um almoço no shopping. Mesmo ela contando suas diabruras na direção. Nada de batidas. Apenas acontecimentos engraçados.
E vamos ao shopping. Ela mal sabia chegar na minha rua, quem dirá sair dela! E eu, morando tão pouco tempo por aqui, sei menos ainda! Imaginem a confusão!
- E aí? Por onde vamos?
- Como assim, por onde? Você não sabe?
- Eu não! Como que a gente chega na Suburbana?
- My god, onde me meti! Bem… o Rod vira sempre aqui na primeira à esquerda e depois esquerda de novo e sai na Suburbana...
- Aqui nessa esquerda? Num é morrinho não, né?
- Morrinho? Quê que tem ser morrinho?
- Ai, Deiaaaaaaaaaaa... é um morrão! SOCOORROOO... o carro num vai num vai, num vai...
- Vai sim, mulher! REDUZ A MARCHA! REDUZ A MARCHA!
- Vai morrer, vai morrer... – e empurrava o volante, como se isso fosse ajudar o carro a subir...
- REDUZ A MARCHAAAAAAA!!!
- VAI MORREEEEEEEEEEEERRR... AI MEU DEEEEEEUSSS......!!!!
- Morreu... – minha cara vocês imaginam – Ai! VOCÊ TÁ NA CONTRAMÃO!
- Ai, meu Deeeuss... num vou conseguir sair daqui! Déia, por que você num me disse que era um morrinho?
- Quel... e você me disse que num sabia subir ladeira?
- Eu não sei ainda... tô aprendendo... ai meu Deus, e agora?
- Bem, agora puxa o freio de mão, liga o carro, vai...
- Eu sei, eu sei, mas num vou conseguir, num vou conseguir...
- Vai... vai sim... vamos lá... vejo o Rod fazer isso sempre...
- Ai! Lá vem um CARROOOOOOOOO... passa carro, passa carro...
Passa o carro e arranha o retrovisor lateral direito.
- Arranhou! FDP!
- Quel, você tá na contramão!
- Ai, Jesus... vamos de ré! Vamos descer de ré! Num vou conseguir, num vou conseguir...
- Vai vai vai...
- Ai, vou bater! Vou bater, vou bater...
- Pára de ser pessimista menina! Vamos devagar...
- Ai, num vou de ré... num sei descer de ré...
- E nem subir de frente, né?
- Ai, Déia, num faz eu me sentir pior... Esquece! Vamos ficar aqui!
- Ficar aqui? TÁ LOUCA? Vamos ligar pro Rod e pedir pra ele nos tirar daqui...
- NÃAAAAOOO... quer me matar de vergonha? Vou tentar de novo!...
Tenta, passa a marcha e...
- Morreu. Vou ligar pro Rod...
- Não, Déia... ai que vergoooonhaaaaaaaa!
Liga o carro e tenta de novo...
- Morreu de novo, Quel. Oi, amor! Sou eu! Ó... precisamos de você! To parada no morrinho, more!
- Morrinho? Que morrinho? – o Rod num entende nada.
- Ai, que vergonhaaaaaaaaaaaa...
- Ó, morreu de novo!
- Quem morreu? – grita o Rod desesperado!
- O carro, more... a Quel não consegue subir o morrinho...
- QUE MORRINHOOOOOOO???
- Po, mô... o morrinho aqui atrás de casa, essa ladeirinha... morreu de novo... que você sempre sobre pra fazer o retorno pro shopping... morreu de novo...
- Calma, Déia, fala pra Raquel fazer assim...
- Ai, Déia, que vergonhaaaaaaaaaaaa...
- Quel, escuta aqui o Rod... ele é ótimo pra ensinar!
- Ai, não... que vergonha...
- Morreu. Quel, escuta o hômi. Num custa!
Segurei o cel no ouvido dela e ela foi seguindo as instruções...
- Ta... ta... ta...foi foi foi... humhum... sei...
- Morreu...
- Pára de falar morreu, Déiaaaaaaaaaa...
- De novo... sei... fiz... humhum...
- EEEEEEEEEEEEEEEEHHHHHHHHHHHHHHH!! VIVA!!! Cara, isso dá um texto pro TPM! Que nome, que nome??
- EEEEEEEEEEEEEEEHHHHHH!! ROD VOCÊ É O MÁXIMOOO!! APRENDIIIII! APRENDI! AI MEU DEUS! Ladeiras, vocês não perdem por esperar! Yuhuuuuuuu!
- Amém! Valeu more... você é 11! Lóviuuu!
- Déia, vou abrir um disque-auto-escola! Deve dar uma grana, né?
- Ai, more... só você mesmo! Bigadinha! Beijo!
- Ai, que máximo! Já sei subir morrinho!
- Já sei! Tô Parada no Morrinho!
- Não estamos mais, boba!
- Não... o nome do texto! Pro TPM do Livinrooom!
- Ah, não! Você num vai escrever sobre essa vergonha! Ai, Jesus!
- Vou sim!
- É, mas agora num fico mais parada no morrinho...
- Então... vou deixar registrada sua conquista lá no Livinrooom!
Miss TPM
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Cena de guerrilha (ed. 13)
Acordou de madrugada sob forte tiroteio.
Sim! E pelo barulho, era uma guerra de gangues, das feias.
Morava a duas quadras de uma favela. Tudo era possível.
- Biel! Tiro! – Chamou o filho que dormia perto.
Rolou o plano A, já freqüentemente utilizado. Atiraram-se
sincronizados ao chão, arrastando-se, tomaram o corredor.
Cena de filme de guerra, saca?!
Farejou o ar.
- Hum! Isso cheira a incêndio com tiroteio. Algo não "bina".
Foi ate a porta da frente, abriu pra saber o que era. No
meio do gramado teve a confirmação:
- Sim, a oficina ali perto estava em chamas e o tiroteio
devia ser alguma arma que estava lá e explodiu.
Gabriel gritava da porta.
- Entra mãe!!! – desesperado.
Um povo na esquina, oriundo do posto de saúde ali perto
(pessoal dorme na fila), olhava para ela ao invés de olhar
na direção do fogo. Daí Gabriel gritou:
- Mãe entra! Tu tá só de calcinha!
Bah! Que mico...
Anja Caramuja
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Tente peidar melhor - Miss TPM (ed.12)
Eu não sei bem como começar isso aqui. Até porque o título já é constrangedor... Minha mâmis adverte:
- Filhona, não fale “peidar”... é feio! Diga soltar pum, ou soltar gases...
- Mas mãe, soltar gases pode ser por cima, ou por baixo... Como os leitores vão identificar? Vou ter que ficar explicando se é por cima, se é por baixo, se fede... ah... E “pum”? Como ficaria meu título: Tente pumzar melhor? Ah... Nada a ver! E “pum” é sonoplastia de qualquer coisa que faz pum! E, convenhamos, peido não tem som assim: PUM! Ah, num tem mesmo!
E falar em gases sempre me lembra minha avó! Ela vive dizendo que sofre de gases. Meu filho tinha uns três anos, família na sala vendo novela das oito... e lá vem minha avó com um sorrisinho maroto, após um barulhinho assim: ffffffffiiiiiiiiiiiiiiiiiiinnnnnnnn...
- Hehe... Desculpe... É que sofro de gases, e não deu pra segurar... soltei!
Meu filhote, que de bobo num tem nada, responde na maior, sem tirar os olhos do computador:
- Gases? Isso foi um peidão! E fedorento, eeeeecaaaaaaaaa! (ele adorava falar eeecaaa!).
Gargalhada geral à parte, foram 40min de sermão... affe...
Mas voltemos ao assunto que me deixou muito indignada, e por isso resolvi botar os dedinhos pra funcionar...
Era o terceiro dia depois do trágico acidente da TAM no aeroporto de Congonhas. Todos os noticiários falavam nisso. E eu, com viagem marcada pra Sampa e pouso no falado aeroporto, não perdia uma só notícia! E lá estávamos eu e Rod assistindo o canal da Record, durante o noticiário Tudo a Ver, com uma âncora bonita e simpática. Ela falando sobre a dor dos parentes das vítimas, tudo muito triste, e eu estava muito emocionada, chorando mesmo, pois as cenas dos parentes recebendo a lista dos nomes das vítimas foi fatal pra mim.
Passam as cenas, entra a âncora de novo. Ela avisa: “A seguir, continuaremos a mostrar mais cenas dos parentes e sua dor. Mas antes tenho de falar do LUFTAL!” (HÃ? O quê? Você ouviu também, Rod?)... Pois é, minha gente, LUFTAL acaba com qualquer desconforto gastrintestinal. Chega de gases, barulhos inconvenientes, pois com LUFTAL não tem mais BOM BIN BEM!”.
Pára tudoooooooooo!!! Minhas lágrimas secaram na hora! Como assim? Os parentes sofrendo, os telespectadores aflitos vendo a notícia... QUEM VAI PENSAR EM PEIDAR NESSA HOORAAAAAAAAAAAA??? E arrotar?
Eu perguntei pro Rod se ele escutou também, ou se eu estava maluca. Mas infelizmente ele também ouviu. A mulher lá, coitada... Super desconcertada por falar em LUFTAL totalmente fora de hora. Vocês já pensaram se a moda pega?
- Boa noite, Fátima Bernardes, você já tomou seu LUFTAL hoje?
- Claro, William, não tem nada pior que se sentir inchado, não é mesmo? Com LUFTAL, nada de desconforto, pele cansada, nem aquela barriguinha nada fotogênica!
- Pois é, Fátima, com LUFTAL, você peida legal!
Ah, fala sério!
E se não fica só nos gases? A Angélica e o Hulk fazem propaganda do DERMACID. Imagine isso no JN:
- Boa noite, Fátima Bernardes! Conte o segredo de nossa relação duradoura e feliz!
- Boa noite, William! Então, eu uso DERMACID! Assim, a saúde da minha família reflete em nosso sorriso todos os dias!
- Já usou DERMACID hoje, Fátima?
- Claro, William! Por aqui, tudo limpo e cheiroso! Use você também, telespectador, o DERMACID! Fungos e mau cheiro? Nunca mais!
Mas ainda estou entalada com o caso do LUFTAL... Achei terrível, fora de hora e de um mau gosto incomensurável! E a cara da coitada? Por ironia, parecia que ela estava segurando um peidinho! Ou seria um arrotinho? Omodeeeeeeeuuuuu!!!
Lembrei até de um caso de uma apresentadora (tá no Youtube) americana que peidou ao vivo! Foi horrível! Essa sim seria uma ótima hora pra tal propaganda! Imagine, ela solta aquele bafo quente e barulhento, e a galera grita: “TOMOU LUFTAL PRA PEIDAR LEGAL!”.
- Filhona, gaaaaaaaases! Gaaaaaaseeesss!!!
Miss TPM
subir pra cima (sic)
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