 |
|
Afinal, amizade serve pra que? (ed.22)
Outro dia, estava conversando com um colega, e ele estava me contando sobre um favor que havia feito para um amigo dele, mas o interessante foi que, ao terminar o relato, disse, em tom interrogativo (ou não) para mim, “afinal amigo serve pra que?”.
Eu logo comecei a relacionar alguns tópicos como: serve para emprestar dinheiro, pegar carona, perguntar sobre a irmã gostosa, dentre outros. Daí, agora, sempre que vou sacanear alguém eu faço questão de dizer “afinal, amizade serve pra que?”.
Isso daria até uma campanha internacional de grande prestígio como “O dia da Toalha”, vou agora mesmo bolar um Slogan, camisetas, faixas, e propagandas televisivas na rede record no horário de pica-pau. Quero deixar claro que esta é uma coluna que não quer o seu bem, não lhe ama, não é sua amiga, e só sabe apontar os problemas e não as soluções na esperança de fazer tanto sucesso quanto o Gabriel Pensamentalizador, ficar cheio da grana e não te convidar pra festa, afinal amizade serve pra que?
Então, quero contar pra vocês como são os “meus amigos”, porque eu nunca fui outra pessoa pra saber como é o amigo dos outros.
No início desse ano, como havia dito no meu blog, o meu coração gelado desabrochou, fiquei mau, muito mau (dá a gargalhada do mal do rá-tim-bum), e estou riscando geral a listinha. A propósito, Blog é coisa de quem não tem amigos no mundo real pra conversar, e fica jogando palavras no ar pra ver se alguém pega, entende e corresponde, algo muito semelhante a conversar sozinho andando na rua, mas isso é coisa de louco.
Quando alguém te pede algo emprestado, pode ter certeza que antes vai te ligar a cobrar, pedindo que lhe retorne, quando você retornar ele vai te chamar de amigo, perguntar da família, namorada, cachorro, papagaio, vai contar metade da vida dele que você já sabe, e a única coisa que ele não vai contar é o porque não lhe ligou nos últimos dois anos pra pelo menos dizer “estou me casando, quer vir na festa?”.
Logo, você idiota, Senhor Bom Samaritano (quem é assim, nasceu onde?), Mr. Bean por natureza, aceita emprestar o dito objeto para o FDP que disse “e aí amigão”. Claro que ele vai buscar, mas às ONZE DA NOITE. E ainda te faz buscar o tal empréstimo na casa dele, três semanas depois, porque você já não tem mais créditos pra ligar pra ele e pedir pra que lhe devolva. Achou isso muito? Vou resumir o que andam fazendo aqui: fulano chega com a CPU nos braços pedindo pra “dar uma olhada” no pc, vem até a minha casa, em pleno domingo, me pedindo pra passar umas fotos da câmera para o orkut, ou seja, abri uma lan house na minha casa e nem sei, ligam pendindo pra ensinar, pelo telefone, como fazer uma determinada montagem no photoshop, vai até meu trabalho, vê que estou extremamente ocupado, se senta do meu lado puxando papo fazendo de conta que não percebe que o estou ignorando, e ainda pergunta se eu empresto um DVD, sem nem lembrar que ele ainda não me devolveu o que está com ele.
Tem também algumas “amigas” que vivem me pedindo coisas, eu sei que amizade entre homem e mulher significa uma coisa “alguém tem que comer”, já que eu não quero comer algumas delas, e eu sei que elas não vão dar pra mim, então por que elas me ligam com voz meiguinha pra dizer “reginhooo, que saudade, faz um favor pra mim...”. Afinal amizade serve pra que?
Claro, isso é tudo reflexo de datas antigas, porque ultimamente estou mandando gente ir embora, bloqueando geral no msn, o orkut já era faz tempo, coisa que, sinceramente, só me fez bem, e fez a lista de pessoas que convivo ficar melhor. Porque é muito melhor não ter que conviver, do que ficar dizendo NÃO a cada cinco minutos.
Outra coisa do tipo é quando eles te fazem passar vergonha. Como quando não têm mais o que dizer e começam a falar mal de outra pessoa pra tentar ser engraçados, na verdade só conseguem se queimar ao invés de queimar os outros. Assim, o cara se queima, queima você, faz papel de palhaço, e pensa que é perfeito pra poder sair por aí brincando de Deus.
Quem escuta, de cara já pensa “como você consegue conviver com isso?”, “essa pessoa quando não tem nada pra dizer fica rindo de quem acompanha ele também?”, “quando não tem ninguém perto essa pessoa fica rindo de si mesmo?”, “será que existe alguém que vê alguma graça nisso pra que ele continue?”, e, por fim, claro: “preciso ir embora logo”.
Pra tentar responder a pergunta “Afinal, amizade serve pra que?”, está aberto o concurso, até semana que vem teremos um ganhador, não sei de que ainda, mas vou pensar em algo interessante, afinal, amizade serve pra que?
Vão aqui alguns exemplos:
Afinal Amizade Serve Pra Que?
- Pegar carona na bicicleta.
- Rir da sua roupa.
- Entrar na sua casa sem chamar, abrir a geladeira, pegar o controle da televisão e te pedir pra sair do computador porque ele precisa abrir o orkut dele.
Outsider
subir pra cima (sic)
Peculiaridades femininas que amo (ed.21)
Estava pensando putaria besteira sozinho como sempre. E comecei a lembrar de algumas ex sofredoras namoradas, ficantes e casos mal resolvidos, pra ver alguns pontos em comum entre elas e formular o meu gosto sobre a bunda, os seios personalidade delas.
Então cheguei a lista, destas atitudes pouco comuns que me deixar babando:
- Sentar com as pernas abertas: é uma demonstração de mente aberta, de que a moça está à vontade, nada de pensamento antigo de que “moça de família não senta assim”, o que tem lá no meio você já viu muitas, não é apenas pela degustação da imagem, mas sim o fato dela não se importar com padrões do tempo da minha avó.
- Falar palavrão: não quero dizer que gosto de vulgaridade, as intenções da palavra são muito relativas. É um porre mulheres que quando escutam um simples “caralho!” já comecem com “_nossa isso é atraso de vida, não fale essas coisas, isso dá azar”. Mas uma mulher que não se importa com a personalidade dos ouvintes e fala naturalmente coisas como “meu cu” é sim algo engraçado e me atrai.
- ser rica.
- O modo de se vestir: claro que pra toda ocasião elas tem de se vestir do seu modo. Mas você sai na rua e dá de cara com a mulher linda, vestida de puta logo de manhã, é complicado. A luz do dia você se deparar com uma mulher de sapato de bico fura bola, vestido vermelho e maquiagem de zumbi de Hollywood. Cara, não tem nada mais bonito do que o convencional shortinho, blusa de alça, e cabelo solto. Mulher bonita mesmo não precisa de tanta produção o dia todo.
- A mãe tem que ser bonita: não adianta ficar com você hoje, você ter todas as qualidades possíveis, e quando eu olhar pra sua mãe, eu imaginar como você vai ficar no futuro, isso sim causa o fim de casamentos e relacionamentos que podiam ser duradouros.
- Diga mais: quando abrir a boca não pode sair idiotices, de bobo já chega eu. Gosto de mocinhas inteligentes, que me façam parecer idiota conversar no mesmo nível delas, nada de conversa fútil, tem de falar algo interessante enquanto está com a boca livre.
- Nada de masoquismo: uma coisa que nunca entendi é porque as mulheres que escutam alguma brincadeirinha mais picante, se acham no direito de me dar tapas. Imagina você fala uma piadinha “trocadílhica indiretística” do tipo que: se gostar está valendo, se achar graça e levar a sério melhor ainda. Ma se ela solta um “ahahaha PLAAAHHHFFFTT” (um baita de um tapa) no seu braço. Dá vontade de descontar.
Então, quero esclarecer que isso não é currículo para sites de relacionamento. Mas se aparecer alguma mocinha rica, boazuda e inteligente com algumas dessas qualidades vou ter que abrir mão do meu fã clube pra Lilhá e me casar com ela.
Mas voltando ao assunto, aposto que alguém vai dizer “cara, desse jeito você precisa de uma prostituta virgem de 15 anos, vai ser difícil” e vai me mostrar que leu e não entendeu nada. Mas ainda vou realizar o meu sonho de namorar duas minas sapatas, isso se elas não quiserem me comer!
Outsider
subir pra cima (sic)
Now loading (ed.20)
Quando começou a jogar, apenas queria matar uma curiosidade sobre o porque de tantas pessoas falarem disso ao seu redor na faculdade, no trabalho e até na roda de amigos. E foi um amigo quem lhe deu o jogo e lhe ajudou nos primeiros passos, com toda boa vontade, pensando em passar adiante algo que estava divertindo a todos e era a moda do momento, porque um amigo seu não podia ficar de fora.
Começou o jogo sem saber muito, criou seu personagem, e foi aprendendo as regras pouco a pouco. Gostou. Aprendeu cada dia mais sobre tudo, e isso foi lhe tomando o tempo sem ele perceber. Ficava cada dia mais horas conectado, ficou viciado. Tudo em que ele pensava era como conseguir mais estrelas, mais e mais poder, obter o reconhecimento de outros jogadores e, assim, perdia cada vez mais a noção de que o verdadeiro jogo está no mundo de fora.
A coisa estava ficando possessiva, passava o tempo entre o trabalho e a faculdade em lan houses, passava o horário de almoço conectado e em alguns instantes durante o expediente, sem perceber o quanto aquilo o corrompia, continuava com o jogo.
Começou a viajar cada vez menos, sair menos, estudar menos, trabalhar menos, mas em compensação estava cada vez mais fera no jogo, conseguiu muitas estrelas, tinha prestígio, cheio de amigos virtuais, pessoas que partilhavam com ele a necessidade de ter um personagem cada vez mais cobiçado e famoso. Virava a noite a jogar com outras pessoas de lugares distantes, sua pontuação estava muito alta, havia recebido muitos itens que lhe garantiam prestigio dentre outros jogadores.
Mas quanto mais itens conseguia, mais itens perdia e ficou mais distante de pessoas que não eram feitas por bytes. Perdia a noção do tempo, espaço e a noção da realidade, praticamente pegou suas coisas e se mudou, espiritualmente, para dentro daquele universo surreal e eletrônico. Era o seu ponto de fuga.
Então percebeu, depois que todos os seus familiares e alguns conhecidos, agora distantes, haviam alertado tantas vezes. Tentou diminuir o ritmo, estava sofrendo abstinência, estava com dores de cabeça e mau humor sem motivo aparente. Resolveu abrir os olhos, e percebeu que aquilo já estava muito repetitivo, estava chato e havia coisas mais importantes, e percebeu antes que estivesse tudo perdido.
Abriu pela ultima vez aquela tela azul com imagens familiares e clicou em “excluir conta do orkut”.
Hoje se sente livre, de não abrir o Internet Explorer e ter que digitar aquele www rotineiro, deixou de ser um famoso no mundo digital e é hoje mais um anônimo com amigos, namorada e família para dar atenção.
Outsider
subir pra cima (sic)
Horroróscopo (ed.19)
Um conhecido meu, outro dia, me disse do nada “meu horóscopo hoje me falou pra dar mais atenção a minha mulher, eu segui e deu certo ela ta super de bem comigo”.
Naquela hora eu senti muitas coisas: vontade de rir, de bater nele, de não falar nada e ignorar, de dar uma aula lógica, e fome, afinal, o cara falou isso já era meio dia a meia e eu não havia almoçado.
Sem falar desse aspecto que eu não concordo nunca, essa coisa baseada em pontinhos brilhantes do céu e vida de famosos, misturado com Cavaleiros do Zodíaco, influenciarem a percepção lógica do mundo.
A única ação que tive foi perguntar “você também fica esperando o coelhinho da páscoa?”, “você se comporta o ano todo pra pegar um presente no saco do papai noel?”, “quando você vai ao dentista pra arrancar um dente você pede o dente a ele e diz que a (sa)fada do dente compra ele por um real?”.
Ele só disse “você tem de deixar de ser excêntrico véio”.
E eu disse pra ele “é que meu horóscopo hoje disse pra ser eu mesmo”, e preferi nem render o assunto e fui curtir umas risadas autistas sozinho.
Antes que você me mande um email querendo me matar, ou me fazer abrir as fotos do seu orkut, eu gostaria de dizer que apenas acho engraçado o horóscopo, e até acho interessante as pessoas usarem isso em forma de “fetiche” ou algo que dê mais uma coisa pra falar que “a gente combina”. Logo, como sou aquariano, o que eu penso, deve ser diferente da opinião de quem gosta da cor amarela. Não entendeu a frase acima? Calma, eu não entendi também, mas foi o que o João Bidú, aquele cachorro do Franjinha da Turma da Mônica, falou quando disse que Nostradamus previu o futuro do WTC porque ele nasceu às 7:32. Logo, o Bidu, que é azul, consegue adivinhar o passado, viver o presente, e prever o futuro. Acho que ele deveria ser meteorologista, repórter da Caras ou bandido, já que consegue enganar tanta gente, pelo simples fato de colocar na capa da revista a cara de uma pessoa infamosa televisivamente e vender 513.218.515 revistas a R$ 0,50 cada.
Agora, imaginem só o tamanho da catástrofe, se o horóscopo se tornasse algo tão forte, quanto uma religião no oriente médio.
As pessoas lançariam homens bomba pelo simples fato de escutarem na radio local assim “hoje, é um dia para se sentir mais livre e soltar o corpo, você precisa sair da inércia e ter um pouco mais de explosão e intensidade. Cor da sorte de hoje: Vermelho”. Ou pior, George W. Bush, que é o pseudônimo de Alfred. E. Newman, escutasse no horóscopo: “Você meu amigo, veio ao mundo com uma missão especial, hoje é o dia que você deve escutar o que ouve e acreditar, para tomar uma decisão que será melhor para todos. Cor de sorte de hoje: Verde Plutônio”, daí ele invade o Iraque, o resto vocês já sabem.
Agora, imaginem eu, acordando de manhã e escutando “você amiguinho aquariano, hoje é o dia de pensar bastante, e criar coisas novas, coisas grandes. Cor da sorte de hoje: Amarelo layout.”
E foi isso que eu fiz, em homenagem à Dehynha que diz que eu escrevo textos pequenos, e é minha bruxa guru astróloga da sorte.
Outsider
subir pra cima (sic)
O minadouro, pensamentos em fluxo (ed.18)
“Depois, quando aprendi a ler, devorava os livros, e pensava que eles eram como árvores, como bicho, coisa que nasce. Não sabia que havia um autor por trás de tudo. Lá pelas tantas eu descobri que eram assim e disse: ‘Isso eu também quero’.” Clarice Lispector
Do terceiro andar do edifício, eu vejo o pátio cheio de jovens universitários, um muro e, além deste, um outro pátio, onde crianças entre quatro e seis anos brincam de ciranda. Volto o olhar para o alto, vejo o Cristo Redentor e um céu azul de uma típica manhã de inverno no Rio cobrir toda a cidade.
Penso não haver tempo passado e tempo futuro, apenas o presente, contraditoriamente perecível e absoluto. Penso no cigarro que fumo enquanto escrevo. Vejo a fumaça, vejo a brasa, vejo as cinzas. Penso na questão do olhar, do olhar que observa e do olhar que contempla. Penso em fluxo, mergulhado nos pensamentos em fluxo. Defino o homem. Dou novo nome às coisas.
Lá pelas tantas... Árvore se chama janela. Janela se chama copo. Copo se chama girafa. Girafa se chama árvore. Homem é mármore. Então, nesta nova ordem das coisas tem-se um novo sentido do mundo. Agora o que vejo, eu vejo através do copo, e através do copo vejo o mármore sob a janela. Um mármore vagabundo pensando em árvores.
Jogo o cigarro no chão, cigarro que se chama libélula e chão que se chama queijo, e piso na libélula para apagá-la; depois a vejo amassada sobre o queijo. Penso novamente em fluxo, que agora se chama perdão, e mergulhado em perdão redefino o mármore no mundo. Mas para o mundo não dou outro nome, porque o mundo precisa permanecer mundo, contraditoriamente perecível e absoluto.
O ideal mesmo seria mudar o nome do verbo. Penso, fluídico.
Rodrigo Novaes de Almeida
subir pra cima (sic)
Não tenha uma banda de rock (ed.17)
Fiquei inspirado ao ler uma revista tradicional (velha mesmo) e de grande credibilidade (nem tanto), que demonstra opinião inteligente e arte enquanto relata coisas comuns na nossa vida de uma forma interessante. Pois é, estava lendo a MAD. E uma matéria que falava sobre “por que não ir a um show de rock” me deu a idéia de plagiar e fazer um “por que NÃO TER UMA BANDA DE ROCK”:
Primeiro, os problemas individuais:
- Se você quiser ser o guitarrista, prepare-se para ficar com calos nos dedos e cortá-los nas cordas mais finas, depois de ficar anos treinando para ter coordenação motora para tocar com velocidade e precisão. Isso vai exigir que você deixe muitas coisas de lado, como trabalho, estudo e mulheres, por exemplo.
- Se você quer ser baixista, prepare-se para gastar metade do seu salário comprando as cordas mais caras do mundo, além do mais, mesmo que você toque bem, nunca ou dificilmente terá seu valor reconhecido, por falar nisso, quantos baixistas de banda você lembra o nome à não ser o do RED HOT CHILLI PEPPERS?
- Se você quer ser baterista, esqueça essa coisa de “eu consigo me acostumar com barulho”, porque você vai ficar surdo, ah? Não escutou?... Eu disse SUUUURRDDOOOO! Além de ter outros dois problemas que nem o baixista, de não ser reconhecido e gastar muito dinheiro com peças de bateria.
- Se você quer ser vocalista, esqueça os exercícios de aquecimento que não adiantam nada, no final de cada show ou mesmo ensaio você ficará mesmo cerca de 48 horas sem conseguir conversar direito. Além do mais, você será obrigado a ter criatividade pra compor, e se não for bonito sua banda não fará sucesso. Sem falar no curso de marketing pessoal pra conversar com o público.
Se isso te assustou, não se preocupe, agora vêm os problemas coletivos relativos ao público:
- Rock não dá dinheiro no Brasil, quantas bandas underground’s você já viu fazendo um show para 10 mil pessoas ou com o ingresso custando mais que 15 reais?
- Rock não rende mulher bonita querendo liberar geral a qualquer custo como no carnaval e o gênero feminino presente se distingue em duas classes: as menores de 16 anos que se vestem como vampiras (eu gosto!) e são verdadeiras putinhas, embora não entendam nada de nada; as mulheres mais velhas que não são nada intelectuais também; e as que só liberam depois de ficarem bêbadas ou drogadas.
- Embora você seja um cara mais light (hum, que meigo) e não use drogas como eu, será impossível não ficar enjoado com o cheiro exalado ao seu redor pelas pessoas que se divertem do jeito errado.
- Quando você toca bem, as pessoas fazem um mosh (um monte de gente se debatendo e pulando ao mesmo tempo), e entrar em mosh machuca e muito, quase sempre rola briga, e então você se torna alguém que indiretamente incentiva a violência.
- Artistas de todos os gêneros normalmente se vestem de maneiras diferentes e exóticas, ainda mais se forem roqueiros. Então você terá de escolher entre ser um cara cheio de piercings e tatuagens ou ter um emprego no mundo real.
- Se uma pessoa da banda não pode tocar em tal dia, logo todos os outros serão prejudicados, então, quanto mais pessoas na sua banda, maior o risco.
- Instrumentos e equipamento de som custam muito caro, e não dão muito lucro, então nada de dar uma de “Kurt Cobain” no palco.
- Andar todo de preto não é uma coisa agradável, eu mesmo não faço isso.
- Se você pensa em ser roqueiro e ter saúde, pode esquecer, afinal, tente ficar uma hora berrando e pulando num show, talvez bêbado, e se manter saudável. Pode me contar depois, ok?
Então se tudo isso que eu disse, não adiantou em nada, então monte uma banda foda e me convide para o show... E por falar nisso, mês que vem tem show da minha banda, quando o flyer estiver pronto eu posto aqui, ok?
The fim.
**Outsider recebeu cartão amarelo por fazer propaganda de outras revistas em sua coluna. Dois amarelos, como todo mundo sabe, é cartão vermelho.
subir pra cima (sic)
O dia em que fiquei louco (ed.16)
Hoje eu acordei e resolvi enlouquecer, porque a vida normal anda muito sem graça e precisava mudar um pouco. Já que não dava pra virar tudo do avesso, podia pelo menos variar a minha perspectiva, me permitir umas idéias estranhas. Até pensei em mim mesmo na terceira pessoa.
Saí da cama e me arrumei como se fosse pruma festa: perfumado e bem vestido. Mas fui prum lugar em que eu não queria estar, fazer uma coisa que eu não queria, mas que precisava fazer para ganhar alguns papéis coloridos com números desenhados de que eu dependo pra sobreviver. Por isso, eu ficaria muito tempo naquele local durante o dia, perdendo meu tempo, deixando de viver para sobreviver. Genial.
A caminho do tal lugar, encontrei uma conhecida que costumava me enviar vários e-mails e mensagens. Ela me viu do outro lado da rua e nem mesmo me cumprimentou. Lembrei que isso era coisa de gente normal e não me importei com a falta de consideração.
Chegando ao trabalho – sim, o tal lugar era o trabalho – logo avistei a mulher que me faz gaguejar, ter arritmia, suar as mãos e tremer um pouco. Devia apelidá-la de “alucinógeno” porque ela me pira e eu acabo fazendo tudo que ela pede, pelo simples fato dela existir alimentando minhas ilusões platônicas.
No horário de almoço fui até um grande local onde se acumulam os papéis coloridos com números impressos, fiquei esperando atrás de outras pessoas que diziam coisas como “nossa, hoje ta quente”, “eu vi que hoje vai chover”, “ce viu, o galo ganhou ontem de trezaum”, “nossa, menina, quem será que matou a Thaís?”. E eu até tentei responder, mas não pensei em nada mais inteligente do que o silêncio para responder a frases tão elaboradas.
Voltando pra casa, um pseudo-amigo me parou na rua, contou muitas coisas, riu de piadas infames e assuntos sem graça alguma, para no final dizer “Reginho, meu pc estragou, dá uma força lá?”. Se não me engano, isso se enquadra na categoria “abuso + falsidade”, mas é algo tão comum para as pessoas que eu que sou louco não posso me importar.
Quando voltei pra casa, resolvi explorar mais a minha loucura e me tranquei aqui dentro com todas as luzes apagadas, me sentei em frente a uma caixa de luz, cheia de teclinhas conversando com meus amigos invisíveis. E agora, estou aqui esperando que meus amigos invisíveis me respondam por mensagens abstratas eletrônicas. É, eu to ficando louco.
Outsider
subir pra cima (sic)
Diálogo rápido (ed.15)
No ultimo sábado, durante a aula de informática:
- Douglas, você perdeu duas aulas, vai precisar fazer reposição, o que aconteceu que você faltou tanto?
- Eu ando trabalhando muito, e não deu pra vir esses dias “fêssor”.
- Olha só, segue meu raciocínio, você trabalha muito para ganhar dinheiro certo?
- Certo.
- Então se você trabalha muito para conseguir dinheiro você fica sem tempo de gastá-lo, porque está muito ocupado trabalhando. E se está muito tempo ocupado não come direito, não dorme bem e fica exausto. No final você consegue ficar estressado, certo?
(nesse momento ele começou ter expressões faciais de espanto)
- Se começa a ficar estressado, vai ficar careca, se ficar careca nenhuma mulher vai te querer, mesmo você tendo dinheiro, e ainda, estressado terá doenças degenerativas que vão lhe custar muito caro, tais como hipertensão, câncer, e várias outras. E com tantas doenças você vai precisar gastar muito dinheiro em remédios para poder sobreviver, se existir tratamento para isso claro...
(agora ele estava em estado de choque)
- Moral da história, você trabalha muito pra ficar pobre e morrer sozinho.
Depois disso, pensei seriamente em ligar para ele pra saber se pediu demissão, ou se continua vivo.
**Outsider é um professor de informática exemplar. Os alunos certamente acham.
subir pra cima (sic)
A anti-dieta (ed.14)
Você a vida toda disse para outras pessoas que não se importava muito com sua aparência, que estava bem com seu corpo, que não era sedentário, e que nunca tentou fazer dieta. Certo, agora invente uma piada nova.
Não, não vou dizer “seus problemas acabaram” porque isso já é piada velha e perdeu a graça, na verdade eu quero dizer: EMAGREÇA DE UMA VEZ POR TODAS SEU GORDO SAFADO!
Na verdade, tenho certeza, palavra de docífero, que você em boa parte da sua vida, e possivelmente até antes de ler o texto, era vítima de uma doença psicótica, que se chama “anti-anorexia”, da qual você sempre está tentando emagrecer, não perde nem uma grama de peso se olha no espelho e se sente magro. Você é doente.
Chega de comprar revistinhas falando que só quer ver o horóscopo (outra doença), e na verdade está decorando mais uma dieta para a sua biblioteca de matemática calórica, chega de encher o peito de ar pra esconder a barriga, chega de comprar roupa larga pra esconder as curvas gigantes do seu corpo, chega de comer um monte de bagulho ruim pra cacete pensando que vegetais são a resposta, chega de se matar na academia com a desculpa que é apenas para sua saúde, chega de falar chega!
Tratamento de choque, essa é a resposta:
Primeiro veja alguns dos problemas que a obesidade lhe causou até ontem:
- Não conseguiu comprar uma roupa porque na loja só havia até o número 58, dez a menos que o seu.
- Na escola, sempre que ninguém mais tinha alguma piada
engraçada, olhavam pra você e diziam um apelido qualquer
pra todos rirem.
- Não passou na catraca giratória no cinema, ônibus, lanchonete,
ou mesmo mal se sentou em alguma cadeira que tivesse
braços.
- Você era o cara mais inteligente e legal da turma na
escola, mas não pegava ninguém você sabe porque.
Agora pense em mais alguns motivos particulares seus. Certo, então vamos ao tratamento de unir a humilhação à sua culpa. Afinal, indignação pode ser usada como grande motivação. E também não pode colocar a culpa toda em você, culpe algumas outras coisas também. Vamos lá:
Dicas:
1º - Se alguém te disser “você tem que estar bem consigo mesmo pra emagrecer”, ignore, na verdade você tem que se olhar no espelho e começar a ficar puto com tudo isso, brigar com você mesmo, até que tome vergonha na cara e faça algo além de se olhar no espelho e ficar conversando sozinho.
2º - Não tente te convencer a diminuir o prato apenas fazendo matemática, olhe para um alimento, uma alface, por exemplo, e lembre-se de tudo que comer demais já lhe causou, e diga isso em voz alta para o alimento, por exemplo:
- Sua alface maldita, se eu te comer vou explodir.
- Alface você me engorda, ME ENGORDA! Vou te matar!
Assim, os alimentos ficarão tristes, e não vão deixar você comê-los, assim como algumas vezes aconteceu na sua vida, de alguém não deixar você comê-la.
3º - Se quer uma imagem pra se motivar a ficar magro, nada de comprar revista Caras, aquilo tudo é plástica e vai cair/engordar em alguns meses. Os dois tipos de imagens que você precisa ver são fotos de africanos famintos, porque se você come como um louco, ao ver tanta gente com fome e miséria, vai perder o gosto pela fartura de comida que está ao lado do seu computador agora. E outro tipo é as revistas de anúncios de lingeries, para que você olhe e pense “se eu emagrecer terei isso, se eu não emagrecer alguém me dará um sutiã”.
4º - Quanto tempo faz que você não vê seu objeto carnal de esportes fecundativos?
5º - Ninguém te convidou pra festa? É porque você come demais, gordo nem sempre é bonito, gordo não pega ninguém, não atrai outras pessoas, não tem amigos interessantes pra levar pra festa, só sabe conversar sobre “eu não ligo para o meu peso” e coisas estranhas que só você gosta.
E se tudo isso não resolver, a única coisa que você pode fazer é estudar e/ou ficar muito rico, fazer plásticas de rotina, ou então, jogar Second Life até ter um personagem gordo e se matar.
***Outsider foi internado num SPA de segurança máxima depois de entregar este texto.
subir pra cima (sic)
Utilidade pública (ed.13)
Cansados de ver tanta gente fútil e homenagens repetitivas na televisão brasileira, produtores jamaicanos resolveram dar uma utilidade pública ao seriado Lost e fizeram uma versão com alguns (in)famosos brasileiros. Juntaram Xuxa, Pelé, Silvio Santos, Didi, Sandy, Júnior, Roberto Carlos, Hebe, Gugu e Faustão.
Chegando na praia, ninguém entende nada. Deve ser porque foram levados pra lá a custa de clorofórmio.
Didi é o primeiro a falar, com toda a sua originalidade:
- Cacilda(?), onde estamos? Porque estamos aqui? Quem é você? Quem sou eu? Quem é Deus? Qual o significado de ter um programa daqueles no Domingo?
Então do nada, ele abraça a Xuxa e pega na bunda dela:
- Ei, loirinha, se você passar no teste do sofá eu deixo você ser figurante no meu programa.
- Sai fora, Didi, prefiro pegar criancinhas. Além do mais, a Marlene não está aqui para me dizer o que fazer, eu to meio perdida. Que dia é hoje?
- Domingoooooooooooooo... – o Gugu não se contém e todos os outros completam - LEGAAAAAAL...
- Que gracinha. – é o aparte da Hebe.
De repente, aparece uma sombra resmungando consigo mesmo “entende, entende”, e quando ele se aproxima, todos percebem que se trata do Pelé, com o sorriso afixado no rosto, parecendo atarraxado com parafusos.
- Gugu, o Pelé não tem o pintinho amarelinho. – Xuxa demonstra que realmente fica boiando sem a orientação da Marlene. Ou que fez uso de drogas psicotrópicas ilegais.
- Oôôô loco, meu! – até o Faustão se espanta com a declaração.
Enquanto isso, Roberto Carlos, mais conhecido como “o terrível”, estava isolado, porque ele só aparece no final do ano e ninguém pode saber ainda que ele existe na ilha.
- Droga, eu tenho que sair daqui logo senão não tem homenagem pra mim no fim do ano. E pior, como eles vão falar sobre a jovem guarda se eu não estiver presente? O Erasmo vai roubar a cena!
E, como não podia deixar de ser, até na ilha o capitalismo começa a florescer. Abalado com as circunstâncias, Sílvio Santos passa a recitar produtos:
- E com o carnê de mensalidades do Baú, você paga todo mês e recebe daqui a um ano o seu dinheiro de volta! Compre o carnê do baú, com ele você tem inúmeras chances de... (PARA! Tudo tem limite! Produção, mais clorofórmio nele!).
Mesmo longe do mundo civilizado, Sandy sente dificuldades de sair da sua rotina:
- Alguém aí tem o cd novo da Laura Pausini pra eu fazer umas músicas novas?
- Sandy, comprando o carnê de mensalidades do baú, você pode resgatar no final de doze meses e trocar por um cd da Laura Pausini nas lojas do Baú. (e finalmente chega o clorofórmio).
A esta altura, Junior percebe que estavam perdidos numa ilha deserta e resolve dizer uma frase de impacto pra marcar presença, já que não tinha idéia de como entrar no papo:
- Eu cresci agora sou mulher, tenho que encarar com muita fé.
- Que gracinha! – repete Hebe.
E então o Faustão, já recuperado do choque causado pela Xuxa, resolve entrar em cena e não deixa ninguém falar mais nada.
Existem rumores de que em breve o Galvão Bueno também será mandado pra lá. Bora aumentar o estoque de clorofórmio.
Outsider
subir pra cima (sic)
(in)Festa(ção) Sertaneja
(ed.12)
Mulher sexo frágil, homem o sexo bobo. Eu “metaleiro” fui parar em um show sertanejo, por culpa dela.
Antes mesmo de chegar ao local minha irmã já me assustou, depois que lhe disse “acho que não devo ir pro show de piercing, pra não ficar fora de ambiente”, e ela disse “que nada! Se você fosse a caráter, estaria com um chapelão, uma calça apertadinha “zezé di camargo”, um cinto com fivela estilo escudo medieval, e uma camisa de botão aberta até o meio da barriga.” Ah, cara. E minha irmã nem é lésbica, mas mesmo assim eu gosto dela.
Não foi a primeira vez que fui obrigado a assistir essa tortura, mas não entendo porque sempre um apresentador de uma rádio local tem que ficar no palco pra anunciar um show que começa sempre com duas horas de atraso. Daí faz-se as luzes e todas as parafernálias para o show se parecer com um evento histórico, ou seja, toda essa modernidade para se ouvir músicas de roça.
O povo pulando, dançando de um jeito muito estranho, já que musica romântica não tem ritmo e... Opa, pára tudo! Eu falei música romântica? Nada disso, musica de corno isso sim! Música de homem que não toma iniciativa e fica chorando pelos cantos, música de quem perde metade da vida amando alguém que não lhe amará nunca, entre outras, mas todas com final trágico e extremamente melosas. Escutar isso dá úlcera no estomago. Mas isso é o meu estômago, que é sensível, né? Se o seu tolera, não me diz respeito.
Mas voltando ao show, de repente os artistas (gasp!), partiram pra apelação para que o público pensasse “nossa, como são humildes, adoram crianças e a infância!”. De cara eu já quase engasguei de rir. Um dos integrantes da dupla disse “nós adoramos as crianças que vêm assistir ao nosso show”. E no telão apareceu uma criança caindo de sono, encostada na parede ao lado do palco. Na mesma hora pensei “essa coitadinha ta aqui porque os pais não tiveram ninguém pra cuidar dela e queriam tanto vir pro show que deixaram de lado o mínimo bom senso”. Capotei de rir.
Depois o cara continuou no tema “infância”, só que agora atacando de nostalgia, e tocou a música do “balão mágico”. Um “combo” da primeira tirada. Nem acreditei, mas foi a música em que TODOS OS PRESENTES mais pularam e cantaram. E nessa hora, nenhuma mulher estava beijando outra, a única coisa que estragou, realmente.
O terceiro, foi quando o show tava quase acabando e como TODO ARTISTA (ou não) sertanejo faz, começou a contar a história da sua vida, contar das dificuldades atuais e passadas, falar da família e de Deus. Num clássico estilo “Dois Filhos de Francisco”, saca? Agora eu pergunto: E O QUE EU TENHO COM ISSO? Mas na cabeça dos ouvintes, muito esclarecidos, isso era sinal de que eles são Deus 2.0, então foi a glória.
E pra terminar, não poderia esquecer das figuras ilustres (ou não) de todo show, os bêbados. Sim eu parei de beber, mas quando estava tonto, ou dormia ou passava mal e ficava quieto. Pagar mico eu pago sóbrio, oras.
Quando a garota e eu estávamos indo embora (leia-se saindo da tortura), vem uma amiga dela, caindo de bêbada e começa a desabafar (garçom aqui nessa mesa de bar/seu guarda eu não tenho vaga na bunda eu não belisquente sou cara carente, seu guardaaaa, eu te amoooo, VAI @#$!!*&). Segundo o relógio, ela desabafou VINTE E CINCO MINUTOS! Como tinha coisa acumulada, né não?! Se fosse lésbica eu até daria atenção.
Mas eu não fiquei ouvindo, pelo contrário, fiquei de telespectador de um casal de lésbicas um pouco abaixo de nós na arquibancada, e as duas que fizeram o show daquela noite, com direito a mão boba, beijo de língua, e tals. Eu já disse que adoro lésbicas?
The Fim.
Outsider
subir pra cima (sic)
|
|