Fui escalada pra escrever um texto de Natal. Mas quem se interessa por isso tudo a não ser as crianças, as quais vão encher seus baús de presentes descartáveis e tóxicos? Eu não ganho mais presente, sabe? Todavia, um dia eu ganhei. Ganhei um sutiã, o primeiro da minha vida. E é exatamente sobre isso que vou dissertar.
Meu primeiro sutiã.
Dia 25 de dezembro a família resolveu se reunir na casa de uma das minhas tias para se alimentar das sobras do dia anterior. Visualizem aquele arroz com passas que ficou dentro do fogão coberto com papel alumínio. Foi assim.
Eu, como a caçula da família, mas não tão caçula assim, fui e levei todos os brinquedos que o Papai Noel havia me dado naquela noite, mesmo sabendo que eu ganharia mais até o fim do dia.
Até que uma das minhas tias me entrega uma sacolinha, dizendo:
-
Pra você, mocinha. Espero que goste.
É óbvio que eu não gostei, ela me deu um sutiã e eu nem peito tinha.
Mesmo assim eu o vesti porque minha mãe insistiu. E o negócio ficou me apertando tudo durante a tarde inteira. Mal consegui brincar direito com meus novos brinquedinhos e na hora do pega-pega com os primos, eu fui pega pela alça do maldito sutiã. Tudo bem, eu estava me sentindo uma mocinha mesmo, afinal, até minha prima mais velha que estava lá não usava um sutiã.
Mas assim como você tem o tempo certo pra servir uma janta no dia de Natal, você também tem seu tempo certo de usar um sutiã na vida. E veja bem, SOMENTE VOCÊ saberá quando é. Nem sua mãe, nem sua tia, nem seu marido caso você esteja com 40 anos e ache que ainda não é hora.
Porque não foi agradável pra minha tia que me presenteou ver eu tirar o sutiã no meio do jantar, o qual já estava me assando embaixo do braço e dizer:
-
Nem o saco do Papai Noel cheio de presentes deve incomodar tanto.
Tia, Feliz Natal, mas na próxima, eu quero brinquedo.
Lílian Pimentel, mais conhecida como Lilhá, é advogada, paulistana e autista. Mas é minha amiga, ta? http://lilaw.blogsome.com/
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